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Téo Benjamin
O FLA DE CENI - PARTE 1: As comparações com o Fortaleza Rogério Ceni chega ao Flamengo com o respeito conquistado no seu bom trabalho no Fortaleza. Lá, ajudou a reestruturar o clube, chegou a mais de 150 jogos e se tornou ídolo. O que essa passagem tem a nos dizer?
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Téo Benjamin Nov 10
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A primeira conclusão parece óbvia. Afinal, o grande problema do Flamengo hoje é defensivo e ninguém nega Trazer o comandante da defesa menos vazada do Brasileirão parece fazer sentido… Mas será que dá para pensar assim?
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Téo Benjamin Nov 10
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Algumas pessoas já não aguentam mais me ouvir falar a palavra “contexto”. Prometo repetir só mais uma vez: futebol é contexto! Além disso, futebol é contexto. E não podemos esquecer que futebol é contexto!
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Téo Benjamin Nov 10
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Nenhuma análise pode terminar no mapeamento do contexto. Se for assim, fica rasa e acaba virando muleta. Toda boa análise, no entanto, precisa ter o contexto como ponto de partida, ou será incompleta, incoerente ou até mesmo desonesta.
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Téo Benjamin Nov 10
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E os contextos de Flamengo e Fortaleza são muito diferentes, portanto não dá para simplesmente transpor os números de um lado para o outro. Aliás, se fosse assim, seria bom alertar também que o Fortaleza tem o segundo ataque menos efetivo da competição até aqui…
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Téo Benjamin Nov 10
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Vamos olhar um pouco mais profundamente para os números, então, e ver o que eles nos revelam. O número de gols sofridos nos diz pouco por si só, então podemos recorrer o funil defensivo () para entender o porquê por trás.
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Téo Benjamin Nov 10
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A comparação com os outros clubes é interessante. O Internacional, por exemplo, dá pouco a bola ao adversário, o mantém longe do gol, concede poucas finalizações e, por fim, quando o adversário chuta, é em condições ruins (de longe, marcado, etc).
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Téo Benjamin Nov 10
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O Flamengo também dá pouco a bola e mantém o adversário longe do gol. Mas, quando deixa chegar, acaba deixando finalizar muito, ainda que em geral sejam finalizações em posições ruins. (Talvez seja uma releitura a um velho lema da torcida...)
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Téo Benjamin Nov 10
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Já o Fortaleza está bem na média em posse de bola, progressão permitida e volume de finalizações concedidas. A diferença é que a qualidade das chances concedidas é baixa (terceira menor) e a conversão é disparada a mais baixa de todas.
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Téo Benjamin Nov 10
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Ou seja, em média, os adversários não finalizam em condições muito boas. Estão distantes e/ou marcados. Mesmo assim, a bola está entrando muito menos que o esperado. Pode ter muita coisa envolvida aí: grande temporada de um goleiro, incompetência dos adversários ou mesmo sorte.
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Téo Benjamin Nov 10
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É mais ou menos o oposto do que acontecia com o Vasco no início do ano. Chegava pouquíssimo, mas a bola sempre sempre entrava (). O Fortaleza se defende bem, é verdade, mas a bola simplesmente não está entrando lá.
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Téo Benjamin Nov 10
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Um dos maiores méritos do Fla de JJ e um dos maiores defeitos do Fla de Domenec era a marcação-pressão. A torcida se acostumou a ver o time sempre pressionando. Como solução, o Fla buscou o treinador do time que menos pressiona alto e que menos recupera bolas no campo de ataque.
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Téo Benjamin Nov 10
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O jogo em que o Fortaleza mais recuperou bolas no campo de ataque foi contra o Ceará: 9. Mesmo com todos os problemas, o Flamengo roubou 22 contra o SPFC, 18 contra o Coritiba, 17 contra o Bragantino, 16 contra o Grêmio… Em apenas 6 dos 20 jogos o número foi menor que 9.
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Téo Benjamin Nov 10
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Além disso, o Fortaleza é o time que menos vezes quebra de posse de bola para cada minuto em que o adversário tem a bola, enquanto o Fla é o segundo que mais faz isso. É um time que não morde, não incomoda tanto o adversário, não tem aquela intensidade sem bola.
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Téo Benjamin Nov 10
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Mas é preciso entender a INTENÇÃO que leva a esses números. O Fortaleza joga, em muitos jogos, bastante recuado, deixando o adversário avançar com a bola até encontrar uma defesa bem montada protegendo a área.
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Téo Benjamin Nov 10
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A linha de quatro defensores tem um papel fundamental. Tem sempre movimentos coletivos muito bem coordenados e ensaiados. Com isso, mesmo jogando bem recuado, o Fortaleza é o sexto time que mais deixa os adversários impedidos. Uma arma que o rubro-negro conheceu bem com JJ.
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Téo Benjamin Nov 10
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Aliás, o comportamento coletivo é elogiável. Até lembra o Flamengo de 2019 nesse quesito. E quando o sistema funciona bem, os indivíduos também conseguem prosperar. Ceni transformou Paulão em um dos melhores zagueiros do campeonato, sem exageros.
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Téo Benjamin Nov 10
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Essa linha protege bem a boca do gol e está sempre montada (o que chamam de “linha sustentada”). Nos raros momentos que quebra, o time tem problemas no segundo pau. Quando os volantes perdem a conexão com a defesa, aparece um problema grave no na entrada da área (o “funil”)
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Téo Benjamin Nov 10
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É possível ver tudo isso claramente nos gols sofridos pelo Fortaleza no campeonato.
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Téo Benjamin Nov 10
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De fato, não dá para simplesmente transpor os números. Um trabalho não é igual ao outro porque as condições (eu prometi que não falaria mais “contexto”) são diferentes. Os jogadores do Flamengo são diferentes dos jogadores do Fortaleza e os objetivos dos clubes também.
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Téo Benjamin Nov 10
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Mas não dá necessariamente para transpor as ideias também. A maneira como Ceni jogava no Fortaleza foi a melhor solução que ele encontrou no Fortaleza! Com ferramentas diferentes, precisa encontrar soluções diferentes.
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Téo Benjamin Nov 10
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Essa é a questão que pouca gente entende. A marca dos grandes profissionais é a flexibilidade. Eles SEMPRE precisam saber se adaptar. Não adianta dizer “Fulano JOGA assim e ponto!” Esse tipo de fala foi feita com JJ, com Domenec, será feita com Ceni e com os próximos…
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Téo Benjamin Nov 10
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Olhando de fora, com todas as limitações que isso impõe, podemos apenas tentar entender quais são as ideias mais importantes, os conceitos estruturantes, e como isso pode ser transportado ou adaptado às novas circunstâncias.
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Téo Benjamin Nov 10
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O próprio Rogério Ceni conhece bem esse processo dentro do próprio Fortaleza. Sendo um time de meio de tabela no Brasileirão, ele precisa jogar recuado em alguns jogos, mas precisa propor o jogo e amassar em outros.
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Téo Benjamin Nov 10
Replying to @teofb
Ele teve menos posse de bola que o adversário em exatamente metade dos jogos. No outra metade, claro, teve mais posse. Suas menores posses foram contra o Atlético-MG (35%) e o Athletico-PR (37%), jogando no contra-ataque, e as maiores foram contra Ceará (72%) e Bragantino (61%)
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Téo Benjamin Nov 10
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Na Copa do Nordeste 2020, por outro lado, o Fortaleza foi o time com mais posse de bola, chegando a mais de 60% de média nos 10 jogos. De fato, Rogério Ceni parece preferir controlar o jogo com a bola, mas se adapta às circunstâncias em que isso é difícil (ou impossível).
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Téo Benjamin Nov 10
Replying to @teofb
E ele vai bem controlando a posse, inclusive usando uma posse defensiva. Nos jogos em que teve menos posse que o adversário (normalmente contra times mais fortes), tomou uma média de 1,22 gols por jogo. Quando teve mais posse, tomou uma média de 0,33.
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Téo Benjamin Nov 10
Replying to @teofb
Seu maior problema ainda parece ser furar defesas fechadas. Nos cinco jogos em que teve mais posse no campeonato (Bragantino, Botafogo e Atlético-GO em casa, Coritiba fora e Ceará no Castelão), só tomou um gol (do Ceará), mas só conseguiu fazer gol em um jogo (3x0 no Bragantino)
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Téo Benjamin Nov 10
Replying to @teofb
Agora, ele terá em mãos o ataque mais poderoso do campeonato, capaz de oferecer muito mais alternativas para furar qualquer tipo de defesa. Resta saber como vai aproveitá-lo.
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Téo Benjamin Nov 10
Replying to @teofb
Ao mesmo tempo, encontrará uma defesa em escombros, cheia de problemas individuais e coletivos, com a necessidade de encontrar soluções rápidas no curto prazo e sem poder, pelo menos no longo prazo, montar um bloco lá atrás e esperar.
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Téo Benjamin Nov 10
Replying to @teofb
O Flamengo precisa atacar, o Flamengo precisa se impor. Pressionar, controlar, agredir. O Flamengo é diferente do Fortaleza, então Rogério Ceni precisará ser diferente também. A disposição ele já mostrou mais cedo na coletiva. A capacidade? Só o campo dirá.
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